Última vítima desaparecida em Ubá foi encontrada nesta última terça-feira
Para além da quantidade de militares em campo, cada fase de uma operação é guiada por planejamento técnico, análise de cenário e definição de estratégias específicas, que muitas vezes se mostram diferenciais no sucesso da missão. No auge da tragédia na Zona da Mata, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) atingiu um pico de aproximadamente 130 militares, cenário dinâmico e compatibilizado com as diferentes estratégias aplicadas.
Um exemplo recente ocorreu no município de Ubá, durante as buscas pela útima vítima desaparecida desde o dia 24 de fevereiro. Desde o início da operação, as equipes adotaram diferentes metodologias de busca, ajustadas conforme as características do terreno e as informações coletadas ao longo do trabalho.
Na fase inicial, as equipes realizaram varreduras terrestres com viaturas e buscas a pé, além de sobrevoos com helicóptero e drones, permitindo o reconhecimento da área e a identificação de possíveis pontos de interesse.
Com o avanço das buscas, foi realizado um mapeamento detalhado da região, incluindo plotagem georreferenciada da mancha de inundação, análise dos pontos de acúmulo de materiais e levantamento de informações junto a moradores da região, estratégia conhecida como mancha falada, que consiste no contato direto com populares para reunir pistas que possam direcionar as equipes.
Também foram feitas buscas com embarcações no leito do rio, ampliando o raio de atuação das equipes. A partir da análise das áreas de maior probabilidade, os militares passaram a concentrar esforços em locais de acúmulo de entulhos e materiais transportados pela enchente.
Na etapa final da operação, os bombeiros optaram pela utilização de maquinário pesado para a remoção e vistoria desses materiais, estratégia que se mostrou decisiva para o desfecho da ocorrência. Durante esse trabalho, após 22 dias, foi localizado o corpo da vítima que estava desaparecida.
“Desde o primeiro acionamento a corporação atuou de maneira incansável, integrada aos demais órgãos de segurança pública, visando a máxima efetividade nas buscas e recuperação de vítimas”, enfatizou o porta-voz do CBMMG, tenente Henrique Barcellos.
O caso evidencia que, em operações de busca e salvamento, a definição da estratégia correta, baseada em análise técnica e inteligência operacional, é muitas vezes o fator determinante para o sucesso das buscas.
Tragédia na Zona da Mata
Entre os dias 23 e 24 de fevereiro, um elevado volume de precipitações, em curto intervalo de tempo, provocou alagamentos generalizados, enxurradas, interdições viárias, deslizamentos de encostas, soterramentos e desabamentos estruturais nas cidades de Juiz de Fora, Ubá e mais onze municípios da Zona da Mata Mineira.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais esteve em campo desde as primeiras horas da tragédia, permanecendo com equipes em campo até está terça-feira (17), quando foi encontrada a última vítima que estava desaparecida na cidade de Ubá.
Equipes de Belo Horizonte e demais regiões do estado foram deslocadas para se juntar aos militares do 4º Batalhão de Bombeiros em Juiz de Fora; atendendo nas primeiras horas 82 chamadas de soterramento e realizando 239 resgates de pessoas ilhadas.
A corporação empregou recursos tecnológicos de georreferenciamento, helicópteros e drones, equipamentos de busca e salvamento terrestre, como ferramentas de desmanche hidráulico, embarcações, além de cães de busca para localização de vítimas sob escombros e maquinário pesado.
